| 0 comentários

 Ladies


    Seguidores todos somos, aprendizes também
    Pecados todos temos, espírito santo, amém
    Leis violadas,privilégios,cárcere,não nos detêm
    Ainda que possamos nos defender da mesma maneira
    Do sapato, ao tênis
    Afinal, foi Deus quem nos deu o pênis

    Somos gatos,cachorros,jumentos,humanos
    Somos gratos,fatos,mentiras ou verdades
    Somos nada, perante ás suas infinidades
    Perdoem-nos, porém, não se isentem de culpa

    Certamente nossos erros dispensam qualquer tipo de lupa
    Mas somos méros reféns da inferioridade cerebral
    Somos artistas cujas obras perambulam vivas e sedutoras pela rua
    Somos carne e musculo erguendo-se perante a delicadeza fértil

    Nossa massa pensante é capaz de encenar cortesias
    Forjar burguesias, enganar até mesmo, representantes mais velhos
    Ao pedir permissão, ao respeitar em demasia
    Méro pacto biológico, de quem será ansião, e terá uma filha, um dia
   
    Não se sintam insultadas, pois dependemos de sua inteligência
    Jamais desrespeitadas, pois todos nós, saímos de suas semelhantes
    Não me acusem de machismo, pois este, de fato, não existe
    Mulher feliz é sempre bonita, só fica feia, quando é triste

    Se quiserem nossas cabeças, as tenham, sem duplo sentido
    Nos manipulem por estilo, jeito, dor, partido
    Só não esqueçam que o noturno ainda pode ser o bom
    Forjando em ouro anéis de saturno, ainda sentimos falta daquela casa neon.
   
   
 

| 0 comentários




Dubiamente Ambíguo


Hoje acordei do avesso e do avesso me acordaram os quero-queros e de querer querer me perguntei ué ué, o que que acabou de acontecer? De um tanto complicado, entendido me farei sem redemoinhos, quem dera. Poderia estar escrevendo sobre os que muito me orgulham (bondes) que se enfrentaram ontem no nosso amado parque farroupilha. Minha manchete seria “Crianças conseguem chamar atenção baleando garoto na cabeça”, minha metade – partida  – pensaria,  de todo mal não foi, menos um vagabundo no mundo. Mas não estou aqui pela moral, princípios, piolhos ou fraldas. Pra ser mais sincero, não quero. Perdi as forças por hoje, só hoje. A questão me questiona desde que acordei e cá estou, dubiamente ambíguo. Fumo um cigarro e acabo com o jejum de dois meses, claro que não. Isso não chega a ser uma opção, é apenas um quero quero passageiro.


A verdade é que acordei a flor da pele. Miosótis, talvez gérbera, de pétala sensível e espinhos peçonhentos. A rosa, é, a rosa.  Que conhecidência  fervoroza. Eu amo ela, estou apaixonado e tudo é tão efêmero que de tanto mais, mais a flor da pele me sinto. O quão esquisitas as relações humanas, que não se pode dizer nada além da mais pura verdade ardente. Aquela vontade de viver viajando me consumiu de uma forma incrível nesses últimos dias. Viajar de ônibus, um notebook  e só. Viver conhendo os lugares e as pessoas, entender as relações no seu limiar, o motivo da tendência de fazer sempre o que é errado e escrever até os dedos calejarem. O que significaria, dependendo do ponto de vista e da vista em pranto, tornar insensível o sensível, de tanto da sua função se valer. Um dia sem perda nem ganhos. Que saudades que eu sinto de nunca ter te conhecido.

"J40"

| 1 comentários




Sobre Levantar Bandeiras



Dia 25/01/10, 17 horas e 41 minutos, do alto da primeira construção em forma de viaduto de Porto Alegre uma marcha marcha em direção e sentido – no mínimo – controversos. Uma pomba se esguicha no canto direito do meu antigo ombro esquerdo e mergulha sinuosa pousando torto na primeira árvore abaixo da “pequena ponte” da Rua Borges de Medeiros. Acima do viaduto há pessoas de todos os tipos e abaixo dele, indivíduos carregando ideologias descentralizadas (assim como o próprio fórum – descentralizado) e vagalumeando para o gasômetro.

A comitiva pomposa trazia consigo manifestantes de todos escalões: homossexuais e representantes do movimento negro levantando bandeiras, novos hippies levantando bandeiras, sindicalistas e ambientalistas levantando bandeiras e até mesmo punks contra a marcha – na própria marcha – levantando bandeiras e pedindo pela “liberdade de pensamento”, o que parece por demais engraçado e triste de sua própria graça

Pensei eu mesmo criar a “contra contra-marcha” e esperar sentado pelo que viriam a dizer os anárquicos bagunceiros. Pensei também vestir uma camiseta defendendo os “heterossexuais”. Seria justo, visto que todo tem o direito de tomar partido. Veja bem, o que de mais problemático existe atualmente – e já faz uma boa década -  , o que mais preocupante é, justamente diz respeito a essa liberdade excessiva e exacerbada na qual todos tem direitos de fazer o que bem entendem e o que bem julgam por certo. E todos andam por aí o fazendo sem pensar e sem ter a responsabilidade necessária que pressupõe a liberdade desejada.

Vejam bem, todos têm direitos, no entanto, deveres ninguém mais tem algum. É claramente uma sociedade de malandros. Malandros que descobriram na reclamação uma forma de nada ter que contribuir e se valem dela para nada fazer na construção de conhecimento, de moral e princípios, de soluções de problemas e proposições para um futuro mais humanitário dentro deste ou do sistema que for. Veja bem, não sou e nunca fui contra o FSM, muito pelo contrário, é de toda pertinência e de suma importância social a despeito dos resultados serem demasiado acanhados.

A questão é a seguinte; o direito à liberdade de opinar em favor ou contra uma ideologia preconcebida assume, no mesmo instante no qual é tirado o proveito, um contrato moral de responsabilidade. Para clarear; ambientalistas distribuindo panfletos e folders, enquanto isso o lixeiro acompanha a marcha catando impressos que são jogados ao chão é falta de responsabilidade moral com o idealismo que está sendo defendido. Sindicalistas pedindo aumento de salário e menor carga de trabalho ao mesmo tempo em que congestionam a avenida onde demais trabalhadores esperam por seu transporte é falta de responsabilidade moral com o idealismo que está sendo defendido. Homossexuais aparecem defendendo seus direitos com aquela bandeira colorida e, são tantos, e estão por toda parte. Penso que tardei a defender meus direitos de heterossexual, será que ainda tenho algum? Enquanto isso a Dilma aproveitava para conquistar votos atendendo carinhosamente ao telefone à filha de sindicalistas, claro, pois, segurar crianças no colo já seria por demais manjado.

A despeito da frivolidade de alguns grupos de pessoas e sua característica falta de análise e responsabilidade sobre seus atos como grupo e mesmo individualmente, devemos aproveitar a oportunidade para sim, dizer algo que realmente valha a pena. Aproveitar a oportunidade para, através do pensamento e reflexão profundos, aprimorar ideologias e construir conhecimento.

"J40"