Dubiamente Ambíguo
Hoje acordei do avesso e do avesso me acordaram os quero-queros e de querer querer me perguntei ué ué, o que que acabou de acontecer? De um tanto complicado, entendido me farei sem redemoinhos, quem dera. Poderia estar escrevendo sobre os que muito me orgulham (bondes) que se enfrentaram ontem no nosso amado parque farroupilha. Minha manchete seria “Crianças conseguem chamar atenção baleando garoto na cabeça”, minha metade – partida – pensaria, de todo mal não foi, menos um vagabundo no mundo. Mas não estou aqui pela moral, princípios, piolhos ou fraldas. Pra ser mais sincero, não quero. Perdi as forças por hoje, só hoje. A questão me questiona desde que acordei e cá estou, dubiamente ambíguo. Fumo um cigarro e acabo com o jejum de dois meses, claro que não. Isso não chega a ser uma opção, é apenas um quero quero passageiro.
A verdade é que acordei a flor da pele. Miosótis, talvez gérbera, de pétala sensível e espinhos peçonhentos. A rosa, é, a rosa. Que conhecidência fervoroza. Eu amo ela, estou apaixonado e tudo é tão efêmero que de tanto mais, mais a flor da pele me sinto. O quão esquisitas as relações humanas, que não se pode dizer nada além da mais pura verdade ardente. Aquela vontade de viver viajando me consumiu de uma forma incrível nesses últimos dias. Viajar de ônibus, um notebook e só. Viver conhendo os lugares e as pessoas, entender as relações no seu limiar, o motivo da tendência de fazer sempre o que é errado e escrever até os dedos calejarem. O que significaria, dependendo do ponto de vista e da vista em pranto, tornar insensível o sensível, de tanto da sua função se valer. Um dia sem perda nem ganhos. Que saudades que eu sinto de nunca ter te conhecido.
"J40"
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