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Sobre Levantar Bandeiras



Dia 25/01/10, 17 horas e 41 minutos, do alto da primeira construção em forma de viaduto de Porto Alegre uma marcha marcha em direção e sentido – no mínimo – controversos. Uma pomba se esguicha no canto direito do meu antigo ombro esquerdo e mergulha sinuosa pousando torto na primeira árvore abaixo da “pequena ponte” da Rua Borges de Medeiros. Acima do viaduto há pessoas de todos os tipos e abaixo dele, indivíduos carregando ideologias descentralizadas (assim como o próprio fórum – descentralizado) e vagalumeando para o gasômetro.

A comitiva pomposa trazia consigo manifestantes de todos escalões: homossexuais e representantes do movimento negro levantando bandeiras, novos hippies levantando bandeiras, sindicalistas e ambientalistas levantando bandeiras e até mesmo punks contra a marcha – na própria marcha – levantando bandeiras e pedindo pela “liberdade de pensamento”, o que parece por demais engraçado e triste de sua própria graça

Pensei eu mesmo criar a “contra contra-marcha” e esperar sentado pelo que viriam a dizer os anárquicos bagunceiros. Pensei também vestir uma camiseta defendendo os “heterossexuais”. Seria justo, visto que todo tem o direito de tomar partido. Veja bem, o que de mais problemático existe atualmente – e já faz uma boa década -  , o que mais preocupante é, justamente diz respeito a essa liberdade excessiva e exacerbada na qual todos tem direitos de fazer o que bem entendem e o que bem julgam por certo. E todos andam por aí o fazendo sem pensar e sem ter a responsabilidade necessária que pressupõe a liberdade desejada.

Vejam bem, todos têm direitos, no entanto, deveres ninguém mais tem algum. É claramente uma sociedade de malandros. Malandros que descobriram na reclamação uma forma de nada ter que contribuir e se valem dela para nada fazer na construção de conhecimento, de moral e princípios, de soluções de problemas e proposições para um futuro mais humanitário dentro deste ou do sistema que for. Veja bem, não sou e nunca fui contra o FSM, muito pelo contrário, é de toda pertinência e de suma importância social a despeito dos resultados serem demasiado acanhados.

A questão é a seguinte; o direito à liberdade de opinar em favor ou contra uma ideologia preconcebida assume, no mesmo instante no qual é tirado o proveito, um contrato moral de responsabilidade. Para clarear; ambientalistas distribuindo panfletos e folders, enquanto isso o lixeiro acompanha a marcha catando impressos que são jogados ao chão é falta de responsabilidade moral com o idealismo que está sendo defendido. Sindicalistas pedindo aumento de salário e menor carga de trabalho ao mesmo tempo em que congestionam a avenida onde demais trabalhadores esperam por seu transporte é falta de responsabilidade moral com o idealismo que está sendo defendido. Homossexuais aparecem defendendo seus direitos com aquela bandeira colorida e, são tantos, e estão por toda parte. Penso que tardei a defender meus direitos de heterossexual, será que ainda tenho algum? Enquanto isso a Dilma aproveitava para conquistar votos atendendo carinhosamente ao telefone à filha de sindicalistas, claro, pois, segurar crianças no colo já seria por demais manjado.

A despeito da frivolidade de alguns grupos de pessoas e sua característica falta de análise e responsabilidade sobre seus atos como grupo e mesmo individualmente, devemos aproveitar a oportunidade para sim, dizer algo que realmente valha a pena. Aproveitar a oportunidade para, através do pensamento e reflexão profundos, aprimorar ideologias e construir conhecimento.

"J40"

1 comentários:

A. disse...

haha, sinto o mesmo.

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